Ouvi a frase da mesa ao lado e pensei o quanto pode ser pueril a boca ordinária de um trolha.
O "eu fazia-te..."; "eu comia-te toda..." o ´"és boa todos os dias..." até mesmo aquela do taxista "se a menina é um autocarro porque é que chamou um taxi", são quase ternurentas e podem deixar um sorriso de mona lisa perante a boçalidade de um doutor ou pretenso.
Talvez pelo inesperado, a falta de chá que anda lá por casa, a suposta educação que se desfaz num "que injeva! O gajo papa as gajas todas." E a "gaja" - porque para eles tudo o que não seja a filha, a sobrinha ou a mãe, está nessa categoria de papável - era a única pessoa no restaurante a ouvir a conversa de três engravatados invejosos da masculinidade de um ministro a que chamavam de "teso".
Como era "teso" esse Gaspar, o da austeridade. " O gajo levanta-se todos os dias às cinco da manhã e começa em casa. Tem categoria. Trouxe a escola toda de fora." Pergunto-me qual escola? A que eles admiram? A de supostamente "saber papar gajas" ou a outra, a de não se deixar intimidar pelas medidas de austeridade.
Continuo à espera da minha companhia e continuo a ouvir o deboche engravatado acompanhado de um tinto reserva.
"Papa as gajas todas, mesmo as gastas. Tudo caidinho", continua o admirador de Gaspar, enquanto outro, mais distraído confessa que nunca tinha pensado nele assim, nesses termos. "Ah pois é!" Claro que a cumplicidade se exprimiu em gargalhadas.
Que importava que a "gaja" do lado ouvisse... O importante é saber "papá-las". Papalvos. E vai um brinde. "A ele, que tem prazer no trabalho!" Tim, tim. Era a porta que se abria e entrava a minha amiga.



















LogIn or register to comment!
Or, sign-in with your Facebook account: